O insumo sobe. A conta de luz sobe. O aluguel sobe. Segundo a Abrasel, 39% dos bares e restaurantes não conseguiram reajustar o preço nem uma vez nos últimos 12 meses. Na prática, isso significa margem sendo corroída mês a mês, sem que o dono perceba no dia a dia.
A raiz do problema geralmente não é falta de coragem para reajustar. É falta de um número claro: o preço-base de cada prato. Sem esse número, qualquer promoção vira um risco.
Preço-base é o valor mínimo que cobre o custo do prato e garante a margem que o restaurante precisa para se manter saudável. Ele nasce da ficha técnica: quanto cada ingrediente custa, em que quantidade entra na receita, e quanto sobra depois de pagar por tudo isso.
Sem esse número, o preço do cardápio vira um chute. E promoção em cima de um chute costuma sair mais cara do que parece.
O primeiro passo é montar a ficha técnica de cada prato: listar cada ingrediente, a quantidade usada e o custo unitário. A soma dá o CMV do prato, o custo da mercadoria vendida.
Depois, é preciso somar uma parte dos custos fixos, como aluguel, conta de luz e folha, que aquele prato precisa cobrir. Dividir o custo fixo total pelo número de pratos vendidos no período dá uma estimativa razoável.
Por fim, aplica-se a margem desejada sobre a soma dos custos. Esse valor final é o preço-base: o piso abaixo do qual o prato dá prejuízo.
Quando o dono não sabe o preço-base, a promoção nasce de um número redondo: 20% de desconto, "leve 2 pague 1", um combo que parece atrativo. O problema é que esse desconto às vezes cai abaixo do custo real do prato.
O restaurante vende mais, mas perde dinheiro em cada venda. No fim do mês, o caixa não fecha, e ninguém entende o motivo.
Toda promoção deveria partir do preço-base, não do preço de tabela. O desconto máximo é a diferença entre o preço de venda normal e o preço-base, nunca menos que isso.
Vale também definir um limite de tempo e de quantidade para a promoção, para que ela funcione como estratégia de giro, e não como hábito que vira o novo normal do cardápio.
Preço-base não é burocracia. É a diferença entre reajustar com segurança e vender por vender. Vale revisar a ficha técnica dos pratos com frequência, principalmente quando o custo dos insumos muda.
Para quem usa o Deli na gestão do restaurante, os relatórios de vendas e custos ajudam a acompanhar os números de perto. Saiba mais em deli.com.br
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